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1
FEB
2011

China quer construir hidrelétrica em cartão postal do país

Chamado de "Grand Canyon do Oriente", local abriga mais de 80 espécies ameaçadas de extinção, incluindo leopardos da neve

Construtoras de reservatórios de água na China vão continuar pressionando a favor do controverso plano de construir uma cascata de usinas hidrelétricas em um dos cânions mais espetaculares do país.

As negociações para aproveitar o poder do rio Nu - mais conhecido fora da China como o Salween - jogam por terra uma suspensão ordenada pelo primeiro-ministro Wen Jiabao em 2004 por razões ambientais, e reconfirmada em 2009.

Naquela época, grupos de conservação saudaram o adiamento como uma rara vitória contra o projeto Big Hydro em uma área da província de Yunnan, sudoeste, que é de importância global para a biodiversidade.

Mas Huadian - uma das cinco maiores concessionárias do país - e o governo da província argumentam que é necessário gerar mais energia por processos de baixo carbono para atingir as metas climáticas da China, uma economia em rápida ascensão. O lobby parace ter sido bem sucedido.

"Acreditamos que a região do rio Nu pode ser desenvolvida e que este progresso pode ser feito durante o 12 º período do Plano Quinquenal (2011-2015)", afirmou Shi Lishan, o vice-diretor de energia da Agência Nacional de Energia.

O plano contempla a construção de 13 reservatórios no meio e na parte mais baixa do rio, com uma capacidade total de geração de 21.3 GW.

O Nu ("rio bravo" em chinês) flui de sua fonte no Himalaia através do coração de um patrimônio mundial das Nações Unidas que tem sido chamado de "Grand Canyon do Oriente". É o lar de mais de 80 espécies ameaçadas de extinção, incluindo leopardos da neve. Fornece água para a Birmânia e Tailândia, cujos governos se uniram a uma coalizão de grupos ambientalistas e cientistas para expressar oposição aos planos de barragem.

Calcula-se que a construção das barragens vá forçar a realocação demais de 50 mil pessoas que vivem nos arredores.

No mês passado, a Agência Nacional de Energia divulgou que os planos do país incluem a construção de hidrelétricas para geração de 140 gigawatts de energia nos próximos cinco anos. A meta é produzir 15% da energia do país por meio de fontes que dispensem os combustíveis fósseis até 2020.

Assim como o Nu, a próxima rodada de projetos pode incluir as usinas hidrelétricas de Sichuan, Qinghai e Tibet.