Rio+20 abre espaço para economia verde
Autor:
http://www.band.com.br
Date:
6/19/2012
Por Alfredo Sirkis - Economia verde é um conceito vago em busca de definições claras e práticas. A Rio + 20 é a oportunidade para esboçar o caminho da economia de baixo carbono compatível com a preservação da biodiversidade e da vida no planeta. Isso precisa resultar em ações que ocupem o vazio do capitalismo recessivo, especulativo, concentrador de renda, das últimas décadas, com novo ciclo de crescimento neo-keynesiano pelo viés da sustentabilidade, forte geração de empregos tendo como grande desafio de atrair os trilhões de dólares da especulação financeira para a economia produtiva de baixo carbono.
Nossas quatro propostas são:
1 - Revisão do PIB como indicador-mor do desenvolvimento. A destruição ambiental e social não pode ser contabilizada como para o crescimento econômico como é atualmente.
2 - Um New Deal verde global: um grande investimento público de governos e bancos multilaterais em inovação tecnológica, energias limpas, mega projetos de reflorestamento, reconversão de sistemas de transporte e saneamento.
3 - Uma mudança nos sistemas tributários nacionais substituindo tributos e subsídios ambiental e socialmente regressivos por uma taxação nacional e internacional da intensidade de carbono.
4 - A atribuição de valor econômico a serviços ambientais prestados pelos ecossistemas.
Essas ações serviriam para o sucesso possível da Rio + 20. Ao contrário da Rio 92, que fechou a discussão das Convenções do Clima, Biodiversidade e Desertificação e a Agenda 21, que eram negociadas há anos, os dois temas da Rio + 20, Economia Verde e Governança Internacional, estão no início na ONU. Assim, não se pode esperar acordo internacional em condições de ser implementado. Mas é possível definir princípios.
Questionar o embuste do PIB, impostos e subsídios que favorecem a destruição ambiental e climática e a visão da natureza como insumo "zero-oitocentos" faz sentido, da mesma forma que promover investimento público verde global para estimular a economia e sair da crise. Boa receita também para a Europa...