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Rio, um vendedor mundial de créditos de carbono

 

Autor:  Agência O Globo

Date:  5/13/2012

 

A cidade do Rio de Janeiro teráum Programa de Baixo Carbono, que será lançado durante a Conferência das NaçõesUnidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), entre os dias 13 e 22 dejunho. O plano vem sendo elaborado há 18 meses pelo Banco Mundial (Bird) e pelaprefeitura. Agora, técnicos do organismo estão na fase de análise dos projetosque constam do Plano Estratégico de 2013 a 2016 do município para apontar quaisdeles são potenciais geradores de créditos de carbono, ou seja, estimulam aredução de emissão de gases do efeito estufa. A ideia é que, após o mapeamento,a prefeitura consiga estocar créditos e se torne vendedora destes no mercadointernacional. A Bolsa Verde do Rio (BVRio) está estruturando um ambiente paraesta negociação.

- Há dois mercados: um é oMecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), no âmbito da ONU, e o outro é omercado voluntário, que tem uma movimentação mais flexível, e onde serãocomercializados esses créditos - explica o coordenador do projeto pelaprefeitura, Rodrigo Rosa.

Ele afirma que o plano estácriando um método de medição.

- O programa é ambicioso porqueprevê inserir projetos além daqueles que facilmente se identificam comoprodutores de créditos de carbono, como no caso do tratamento de resíduos. Então,estamos definindo uma metodologia que vai garantir a contagem de créditos, porexemplo, para o aluguel de bicicletas. A ideia é criar uma modelagem que sejaadaptável a estruturas de governança de outras cidades do mundo.

Reflorestamento e bicicletas nalinha de frente

Além do aluguel de bicicletas,está na linha de frente do Programa de Baixo Carbono o reflorestamento de MataAtlântica. A meta da prefeitura é reflorestar 1.700 hectares até 2016 - faltam600 hectares para se chegar a este objetivo. Já o aluguel de bicicletas é umprojeto do governo em parceria com a iniciativa privada, e que atingiu este mês500 mil viagens. Ele foi criado em outubro de 2011. De acordo com Rodrigo Rosa,a quantidade de créditos de carbono que seriam dispensados destas atividadesainda não foi definida.

O apoio do Banco Mundial não é definanciamento, e sim, de assistência técnica. O diretor do setor deDesenvolvimento Sustentável do Banco Mundial, Ede Lijaz, explica que o programafoi encaminhado ao International Organization for Standardization (ISO) paraobtenção da certificação internacional.

- Estamos prestando assistênciaao governo municipal para elaborar o projeto e para que ele adquira acertificação no padrão ISO, o que vai torná-lo um modelo de negócio aplicávelglobalmente. Uma vez que a prefeitura tenha oficialmente lançado o programa, opróximo passo é sistematicamente expandi-lo para que ele cubra cada vez maissetores urbanos ao longo do tempo - afirmou Lijaz.

Meta é reduzir emissões em 8% atéo fim deste ano

A cidade do Rio também tem metasde redução de gases a cumprir. Em janeiro de 2011, a prefeitura sancionou a Leide Mudanças Climáticas (No 5.248), que estabelece índices periódicos para adiminuição da poluição ambiental. O município terá que reduzir em 8% asemissões de CO2 até o fim deste ano em relação aos níveis de 2005. De acordocom Rodrigo Rosa, o índice foi batido após o fechamento do aterro de Gramacho.

Para o ano de 2016, a reduçãodeverá ser de 16%, e, em 2020, de 20%. A expectativa é que seja evitado o"despejo" no meio ambiente de cerca de 2,27 milhões de toneladas de CO2equivalente (métrica utilizada para comparar as emissões de gases de efeitoestufa com base no potencial de aquecimento global).

- O Programa de Baixo Carbonovai, primeiramente, ajudar o governo municipal a atingir suas próprias metas demitigação de uma forma credível e confiável. Em segundo lugar, ele vai promovere comercializar as certificações de redução de emissões com o objetivo de gerarmais investimentos em projetos sustentáveis - afirmou Ede Lijaz.

O programa ficará sob o escopodas secretarias municipais de Meio Ambiente e Casa Civil. Os projetos inscritosdeverão ainda receber uma acreditação de uma entidade de validação decertificação internacional e por auditores do ISO.



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