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26
JAN
2010

Brasil e China cobram US$ 10 bi de ricos contra efeito estufa

Valor, acordado na Conferência de Copenhague, será usado por países pobres no combate ao aquecimento

NOVA DÉLHI - Brasil, China, Índia e África do Sul reivindicaram neste domingo, 24, que os países desenvolvidos comecem a liberar o quanto antes os US$ 10 bilhões acordados em Copenhague para que os países pobres tenham condições de combater os efeitos do aquecimento global.
 
As primeiras liberações devem contemplar os países menos desenvolvidos, incluindo pequenas ilhas-Estado e países africanos, afirmou Xie Zhenhua, mais importante negociador chinês das questões climáticas, após encontro de representantes dos quatro países em Nova Délhi.
 
Os quatro gigantes do mundo em desenvolvimento - conhecidos como Basic - também afirmaram que vão encaminhar planos de combate ao aquecimento às Nações Unidas nesta semana.
 
Durante a Conferência de Copenhague, diversos países desenvolvidos tinham a esperança de que o Protocolo de Kioto, que exigia cortes nas emissões apenas dos países ricos, fosse substituído por um acordo que também incluísse as nações em desenvolvimento.
 
Mas, ao contrário, o presidente Barack Obama e as nações que compõem o Basic fecharam um acordo - o chamado Acordo de Copenhague - que pede que os países pobres proponham ações voluntárias até 31 de janeiro. Desde então, essa data já foi adiada.
 
"Nós temos o dever de ser os primeiros a nos comprometer com planos de ações", disse a repórteres do Ministro do Ambiente da África do Sul, Buyelwa Sonjica.
 
A China, maior emissora mundial de gases de efeito estufa, já disse que irá cortar sua "intensidade de carbono" - uma medida das emissões de dióxido de carbono por unidade de produção - para entre 40% e 45% até 2020, em comparação aos níveis registrados em 2005.
 
A Índia, quinta maior emissora, disse que até 2020 irá cortar sua intensidade de carbono entre 20% e 25%. Nenhum dos dois países concordou em estabelecer um valor exato na redução oficial em suas emissões.
 
No domingo, o grupo também requereu à Dinamarca, que sediou a Conferência do Clima, para que promova uma série de encontros neste ano para que se iniciem as discussões de um acordo oficial antes da Conferência no México, que será realizada em dezembro, disseram os países do Basic em comunicado conjunto.
 
Reação
 
O Greenpeace reagiu à declaração final dos países do Basic divulgadas neste domingo. Segundo a organização, ela "deixa no ar dúvidas sobre seu grau de comprometimento em buscar soluções ambiciosas para a crise climática que ameaça o futuro da humanidade".
 
Entre as lacunas da declaração, segundo o Greenpeace, não há menção de que o acordo deva ser legalmente obrigatório. "É preciso lembrar que, por enquanto, essa vontade se restringe a uma declaração de princípios", disse a organização em comunicado.
 
Para ela, os países do Basic devem demonstrar "maior capacidade de liderança, dirigindo as negociações pelo clima por um caminho mais ambicioso e com o objetivo de alcançar um acordo legalmente vinculante".
 
"O presidente Lula, na última Conferência do Clima, comprometeu o Brasil a fazer mais para controlar o aquecimento global. essa é a hora de ele mostrar realmente liderança e convencer seus parceiros no Basic a ajudar os países mais pobres a se adaptarem às mudanças climáticas", afirmou o diretor de Campanhas do Greenpeace, Sergio Leitão.